No último sábado (15/11) aconteceu no Clube Carcará mais
uma edição do Festival Dosol na cidade de Mossoró. A produção do evento veio para
o deserto mossoroense com um lineup que contava com 14 bandas. Eu,
infelizmente, só cheguei ao evento no meio do show do Inquisidores (perdi Jack78,
Depois de Velho e Cabrones), mas de cara já pude sentir a energia que emanava
do lugar. Porém, ao encontrar com amigos, recebo a notícia de que o Red Boots
não iria mais tocar devido a um problema de voz do Luan, vocalista da banda, e
que foi confirmado quando em seguida uma das bandas mais queridas do público
subiu ao palco: Mad Grinder. Rafaum, Thassio e Andola não decepcionaram.
Fizeram um ótimo show e depois deram lugar para o Samavayo. A banda que veio da
Alemanha conquistou os roqueiros potiguares na etapa Natal do festival e aqui
não podia ser diferente. Em seguida veio o Monster Coyote que simplesmente
colocou geral para bater cabeça! Como já disse, não sou fã de metal, mas se há
uma banda que sabe o que está fazendo, são eles! O Camarones Orquesta
Guitarrística, como era esperado, colocou todo mundo pra dançar. E provou, mais
uma vez, que não é preciso cantar para encantar. Os dinossauros do deserto, ou
The Velociraptors, também levaram o público a loucura, conquistando até mesmo
aquele que os ouvia pela primeira vez. Tivemos ainda o Bones In Traction, Artur
Soares (que apesar de um show curto, fez o serviço bem feito) e o Kataphero.
Mas a grande banda da noite, a que ficou encarregada de encerrar o Festival
Dosol 2014 em Mossoró e que fez todo mundo agradecer por ter esperado até o
final foi o Talma&Gadelha. Luiz, Simona, Henrique, Khalil e Adriano, em
nenhum momento se abateram pelo cansaço que os consumia, já que estavam de pé
desde cedo, e com um repertório composto de músicas do último disco e o último
single lançado, levaram o público a loucura e reafirmaram a sua posição de
prestígio e poder na cena musical potiguar, nordestina e brasileira. Exatamente
por isso que no post inicial do “Pirulito Não é Complexo” eu trago pra vocês
uma pequena conversa que tive com o Luiz Gadelha, baixista e vocalista da
banda, onde falamos sobre Mossoró, Festival Dosol, beijaço e terceiro disco...
Enjoy!
PNéC: O Talma&Gadelha tocou
em Mossoró em agosto e estiveram de volta esse final de semana no Festival
Dosol 2014. Dois shows em um ano, em um curto espaço de tempo entre ambos. Mas
cada show é um momento, uma sensação diferente, principalmente pelo fato de que
a última vez da banda na cidade antes desses shows havia sido há dois anos
atrás, antes do lançamento do “Maiô”. Então, pra vocês, como foi estar de
volta?
T&G: Mossoró tem nos
surpreendido a cada volta da gente. Cada vez que a gente vai à Mossoró o
publico ta mais caloroso, mais receptivo e isso nos deixa satisfeitos demais!
No nossa ultima volta, no sábado passado pelo Festival Dosol esse efeito se
repetiu. O publico cantou do começo ao fim, enlouquecidos de felizes com o
nosso som...isso é bom demais...significa que estamos conquistando os corações
dos mossoroenses.
PNéC: Sobre o Festival Dosol...
Vocês vinham de um show em Natal, onde tocaram para mais de mil pessoas no
Galpão 29. Como é ver a quantidade de fãs aumentando cada vez mais,
ultrapassando expectativas que chamam a atenção tamanha é a devoção deles para
com a banda?
T&G: É muita felicidade
e muita responsabilidade. A gente se sente motivado ainda mais no dia-a-dia da
banda e também preocupados em sempre estar à altura do que as pessoas que nos
ouvem esperam de nós. Não dá mais pra pensar que fazemos música pelo nosso
prazer e interesse, mas sim, pela mensagem que transmitimos nas letras e chegam
nas pessoas, pela nossa postura no palco e na vida e pela satisfação de quem
vai aos shows e canta tudo e depois nos escreve agradecendo pelo que viu e
ouviu.
PNéC: Foi também devido ao show
em Natal que você, Luiz, e o T&G se tornaram um dos assuntos mais
comentados nas redes sociais. A intervenção poética, seguida do beijaço,
movimentou não só os fãs, mas também outras pessoas que bateram palmas para a
sua atitude. Levando você a repetir o ato em Mossoró no último sábado. Como e
porquê surgiu a ideia? Como é ver essa aceitação do público?
T&G: A ideia surgiu
repentinamente, como uma brincadeira, no ensaio que antecedia o show do
Festival Dosol em Natal. Eu (Luiz Gadelha) vi essa imagem na minha cabeça, duas
pessoas do mesmo sexo se beijando no palco e não esqueci, levei-a pra casa e
propus a banda realizar de verdade essa cena durante o show e todos apoiaram. A
partir daí foi correr atrás de um voluntário pra essa cena que não tava
amadurecida ainda, havia somente o beijo. Não foi fácil encontrar esse
voluntário, tendo em vista a exposição que o mesmo teria e tudo que se leva ao
palco se torna grande demais. Ao mesmo tempo não quis me debruçar demais na
cena pra não torna-la um perigo, uma ameaça e me deixar travado. E no dia do
show me veio a ideia de pesquisar um poema que representasse mais o ato do
beijo no palco. Me veio logo Elisa Lucinda que além de poeta é atriz e cantora,
pois sempre vi as performances dela com seus poemas e ficava chapado! Achei o
poema “Safena” que recitei antes da entrada de Leonam Cunha, voluntario
corajoso que fez a cena comigo. Eu e Leonam nos conhecemos um dia antes pela
internet, uma amiga falou que ele toparia e só nos vimos pessoalmente no dia do
show, discutimos um pouco a cena e deixamos pra na hora ver como seria. A
repercussão foi incrível, muito mais do que eu esperava. Muitos aplausos,
gritaria de felicidade, de surpresa. Não houve, que eu tenha tomado
conhecimento, nenhuma reação negativa. As pessoa se sentiram representadas com
beijo no palco. Pela liberdade, pela coragem, pela mensagem que um beijo –
antecedido de um poema que falava sobre o amor – passou pra todos que nos viam.
Foi demais! Tanto que a cena se repetiu em Mossoró e causou o mesmo impacto.
Não é a primeira
vez, como músicos, que realizamos performances em nossos shows. No inicio de
nossas carreiras, eu e Simona, juntos ou separados, inventávamos de tudo pra
chamar atenção das pessoas pra nossa música, pra nossa cara, pra nossa vontade
de dizer que não íamos desistir e estávamos querendo fazer algo diferente:
musica autoral. Em 2005 cantei uma música completamente pelado num show (solo)
que fiz na Casa da Ribeira. O show se chamava “Nu com minha música” que já
explica o porque da performance. A ideia de cantar nu foi do diretor do show
Fernando Yamamotto dos Clowns de Shakespeare.
(Vídeo da Intervenção + Beijaço no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=QyuiXx2WtYw )
PNéC: O T&G está em processo
de produção do seu terceiro disco. Vocês já lançaram no canal da banda no
YouTube, duas músicas (Meu Croissant e Iô Iô) que já caíram na graça dos fãs.
Como está sendo todo o processo?
T&G: Nosso processo
para o terceiro disco está sendo novo pelo fato de termos dois integrantes
novos na banda e por Cris Botarelli (ex guitarrista da banda) estar nos
dirigindo musicalmente, com ideias pra os arranjos; mas estamos repetindo o
processo do disco “Maiô”. Montamos as músicas em casa com violões pra definimos
alguns riffs e as estrutura em si da música: introdução, meio, repetições e
possíveis vocais e depois vamos pra o estúdio de ensaio encaixar esse esboço
com a bateria, o baixo e as guitarras; em seguida vamos gravar. Ainda estamos
na fase dos violões em casa, montamos 5 músicas assim, demos uma parada por
causa das viagens do Festival Dosol, mas estamos ansiosos pra voltarmos aos
arranjos.
PNéC: Os fãs verão um disco mais
parecido com o “Matando o Amor”, com o “Maiô” ou diferente de ambos?
T&G: Diferente de
ambos! É nossa intenção deixar “Mira” nosso terceiro disco, diferente dos
anteriores. Adoramos o “Matando o amor” e o “Maiô”, mas em “Mira” a gente quer
continuar experimentando. O processo de composição, que eu e Simona estávamos
acostumados a fazer, já foi desafiador. Ouvimos novas referências, tentando
escrever com menos subjetividade, mas mantendo a poesia que a gente preza
muito, em melodias mais fluidas e em outros ritmos que o Talma&Gadelha
ainda não experimentou usar, como funk (não o carioca), o hip hop, o disco, sem
deixar o pop, o rock e o blues de lado. As músicas já estão sofrendo mais alterações
quando ganham arranjos. Já estão nos surpreendendo. Esperamos que o resultado
final agrade todo mundo.
PNéC: Por falar em “Maiô”...
Nele vocês contaram com muitas participações nas composições, incluindo Jajá
Cardodo (da Vivendo do Ócio), Julio Andrade (do The Baggios), Khrystal, Andreia
Dias... Veremos participações no novo disco?
T&G: As participações
especiais no “Maiô” foram essencialmente nas composições. É um disco de
parcerias novas com pessoas, amigos, que admiramos e queríamos trabalhar e
registrar pra sempre no disco e adoramos o resultado. Em “Mira” voltamos pras
composições exclusivamente minhas com Simona Talma, com exceções de duas
canções que temos parceria com Adriano Sudário, nosso guitarrista.
PNéC: Há alguma surpresa que
vocês podem adiantar? Já há uma data prevista para o lançamento?
T&G: Como disse
anteriormente, as surpresas vão acontecer naturalmente, acredito, pois é um
disco novo e queremos que o resultado nos provoque, que seja novo também,
portanto, aos poucos as coisas vão se definindo melhor nesse departamento. A
data de lançamento, ainda não temos. Estamos muito felizes de sermos convidados
mais uma vez pelo selo do Dosol Records para o Incubadora, dessa vez em
parceria com o Rumos Itau Cultural e são eles que nos fornece toda estrutura
para o “Mira” ganhar vida, inclusive definindo data de lançamento.
PNéC: Para encerrar, vocês já
tem datas marcadas para tocar em Caicó, Currais Novos e Santa Cruz pelo
Festival Dosol, além de já terem sido confirmados na Virada Cultural que
acontecerá em Natal nos dias 20 e 21 de dezembro. Qual a expectativa e qual
recado vocês mandam para os fãs?
T&G: Estamos nos últimos shows do nosso CD “Maiô”, estamos encerrando uma etapa que começou há mais de um ano e meio e queremos acima de tudo agradecer a todo mundo que continuou nos acompanhando, pela internet, indo aos shows, cobrando música nova... A gente faz música pra vocês também e cada vez mais queremos ganhar espaço no coração das pessoas. Acreditamos num mundo melhor, com menos interferências ruins, com mais amor e falamos de amor, do nosso jeito, da nossa maneira, da forma que sentimos e queremos que fique uma semente no coração de quem nos ouve. É uma missão. Missão deliciosa. Cantar, tocar e levar música pras pessoas. Pedimos desculpas às cidades que pedem nossos shows e ainda não conseguimos ir. Somos totalmente independentes e dependemos de convites, de que haja uma forma viável da gente tocar e pagar minimante os custos da viagem, do show, mas não desistam de nós, estamos querendo chegar ao máximo de cidades possíveis no Brasil e quem sabe, no mundo!
Então... Que venha "Mira"!

Parabéns Rayssa pela linda entrevista, te vi tietando e cantando todas as músicas. Bom falar dessa turma ai é muito fácil. A pouco mais de 1 ano, tive a honra de ver e ouvir a linda Simina Talma, e automaticamente foi amor a primeira vista, no the voice brasil, um tempinho depois conheci Luiz Gadelha o que pra mim chamo de artista completo, amo a Simona Talma, amo o Luiz Gadelha e mais ainda o Talma&Gadelha sao lindos, talentosos, humanos, simples, são amor. Sair de Natal especialmte para ir ver Talma&Gadelha no dosol em Mossoró, o show foi lindo. Parabéns meus amores amo vcs <3
ResponderExcluirMuito obrigada, Iara! Tietei e sempre tieto. O T&G é uma banda pela qual tenho um amor enorme e todos sempre foram nota dez comigo. Então não tinha como ser diferente.
ExcluirAcompanha a gente no Facebook e fica por dentro de tudo. Sempre que tiver novidade sobre o T&G e outras bandas, estaremos falando ;)
https://www.facebook.com/pirulitonaoecomplexo